Sustentabilidade - 26/06/2020

Ford anuncia a meta de se tornar carbono neutro até 2050

Este e outros objetivos estão no seu recém-publicado relatório de sustentabilidade


A Ford quer atingir a neutralidade de carbono globalmente até 2050, ao mesmo tempo em que busca outras metas intermediárias mais urgentes para enfrentar os desafios da mudança climática.A empresa anunciou essa decisão com a publicação do seu 21° Relatório Anual de Sustentabilidade. A neutralidade de carbono significa atingir zero emissões de carbono, equilibrando as emissões com a remoção de carbono. Para atingir esse objetivo, a Ford vai se concentrar inicialmente em três áreas que representam cerca de 95% de suas emissões de CO2 – o uso dos veículos, sua base de fornecedores e as instalações da empresa.

 “Nós podemos desenvolver e produzir grandes veículos, ter um negócio forte e sustentável e proteger o nosso planeta ao mesmo tempo – na verdade, esses ideais se complementam”, diz Bob Holycross, vice-presidente e chefe de sustentabilidade, meio ambiente e segurança da Ford. “Nós ainda não temos todas as respostas, mas estamos determinados a trabalhar com todos os nossos parceiros locais e globais para chegar lá.”

 A Ford também está trabalhando para desenvolver metas aprovadas e definidas pela iniciativa “Science Based Targets” (Metas Baseadas na Ciência), com três fases de redução de emissões. A Fase 1 abrange as emissões diretas de fontes de propriedade da empresa ou controladas, enquanto a Fase 2 aborda as emissões indiretas da geração ou compra de energia elétrica, vapor, aquecimento e refrigeração. A Fase 3 inclui as emissões no uso dos veículos que a Ford vende e da sua base de fornecedores, entre outros.

A meta de 2050 reforça o compromisso da Ford de continuar a avançar no desempenho sustentável de seus produtos e operações. Em 2019, a empresa expandiu sua estratégia ambiental para encontrar meios mais eficientes de integrar os desejos e necessidades das pessoas e os seus negócios, junto com o potencial da tecnologia, aplicando o design centrado no ser humano. Uma equipe multifuncional da Ford de todo o mundo desenvolveu a estratégia de carbono neutro da empresa após analisar informações sobre meio ambiente, consumidores, tecnologia, legislação, energia, competição, ciclo de vida e outras tendências.

Enfrentar o desafio das mudanças climáticas é uma responsabilidade chave e uma prioridade estratégica para a Ford. Isso inclui ajudar a reduzir o aumento da temperatura global, conforme o Acordo de Paris. Mindy Lubber, CEO e presidente da Ceres, organização de sustentabilidade sem fins lucrativos, saudou a meta de longo prazo da Ford e incentivou outras empresas a seguir seu exemplo. “Parabenizamos a Ford pelo seu compromisso de ser carbono neutro até 2050”, disse. “A Ford reconhece a urgência de lidar com as mudanças climáticas, e conclamamos todas as empresas a agir e se comprometer com metas baseadas na ciência em suas operações globais".

A Ford está investindo mais de US$ 11,5 bilhões em veículos elétricos até 2022, e vai lançar em breve versões com emissão zero de alguns de seus veículos mais populares, incluindo o Mustang Mach-E, que começa a chegar ao mercado norte-americano este ano, bem como uma van Transit elétrica e a F-150 elétrica, no prazo de 24 meses.

A empresa já havia anunciado seu plano de usar energia local 100% renovável em todas as suas fábricas no mundo até 2035. Isso significa que a energia viria apenas de fontes reabastecidas naturalmente – como hidrelétrica, geotérmica, eólica ou solar.

Destaques adicionais

Além do avanço na neutralidade de carbono, o relatório de sustentabilidade da Ford destaca o trabalho de sustentabilidade da empresa em todo o mundo, incluindo:

-COVID-19: Mantendo as pessoas seguras

A saúde e a segurança dos empregados continua a ser uma prioridade da Ford e a pandemia do COVID-19 trouxe vários desafios. A Ford agiu rapidamente para fechar fábricas, usou a tecnologia para muitos funcionários poderem trabalhar remotamente e criou programas para apoiar a saúde física, mental e emocional da sua equipe.

A empresa também usou sua experiência em projeto, manufatura e peças de veículos para ajudar a produzir ventiladores, respiradores e equipamentos de proteção individual. Seu guia de regras para o retorno ao trabalho, já aplicado na China, Europa e EUA, está sendo seguido também no Brasil, na volta da operação das fábricas de Camaçari, BA, e Taubaté, SP, com protocolos rígidos de segurança.

-Eletrificação

A Ford acelerou significativamente o seu plano de veículos elétricos em 2019. A empresa apresentou o Mustang Mach-E, um SUV elétrico que estará disponível nos EUA a partir deste ano, com autonomia estimada de 300 milhas com uma única carga, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, e até 600 quilômetros de acordo com o WLTP (Worldwide Harmonized Test Vehicles Procedure).

Junto com a apresentação do Mustang Mach-E, a Ford anunciou a maior rede pública de carregamento da América do Norte, a FordPass Charging Network, com mais de 13.500 estações e quase 40.000 plugues de carregamento individuais. Esses anúncios estão abrindo caminho para as futuras versões elétricas da F-150 e da Transit, como parte do compromisso da Ford de eletrificar seus modelos mais populares, reforçando os atributos que os clientes desejam, como desempenho, capacidade e conveniência.

-Economia circular

A obtenção de valor a partir de resíduos, ou “upcycling”, tem sido um foco forte da Ford há mais de uma década. Um exemplo de apoio à economia circular foi quando a empresa anunciou uma colaboração com o McDonald's nos EUA, em 2019, para transformar a palha de café – um resíduo da produção de café do McDonald's – em peças de automóveis. Essa inovação sustentável não só reduz o uso de petróleo na fabricação desses componentes como também reduz o peso dessas peças em 20%, além de consumir até 25% menos energia no processo de moldagem.

Pesquisadores da Ford têm estudado há anos o aproveitamento de resíduos na produção de biomateriais para peças de veículos. Em 2007, a Ford introduziu a espuma de soja como alternativa à espuma à base de petróleo nos bancos do Mustang. Desde então, a empresa expandiu a aplicação da espuma de soja em todas as suas linhas de produtos na América do Norte – mais de 25 milhões de veículos até o presente – evitando a emissão de centenas de milhares de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera.

A Ford não aplica a abordagem da economia circular apenas em peças internas dos veículos. Na produção da Série F, a empresa usa um sistema de reciclagem em circuito fechado que recupera até 9.000 toneladas de liga de alumínio de alta resistência por mês, o suficiente para construir 51 jatos comerciais ou mais de 37.000 carrocerias da Série F.

No Brasil, além de PET reciclado na confeção de carpetes, forro de teto, caixas de roda e mantas de forração acústica, são utilizadas sobras de tecidos como jeans na produção de estofamentos, carpetes e forros dos veículos.

-Diversidade e Inclusão

Mantendo o seu compromisso com a diversidade e a inclusão, a Ford assinou em fevereiro de 2020 os Princípios de Empoderamento das Mulheres das Nações Unidas, conquistou uma posição de liderança no Índice de Igualdade de Gênero da Bloomberg pelo segundo ano consecutivo e recebeu nota máxima no Índice de Igualdade de Deficiência 2019.

O Relatório de Sustentabilidade da empresa também aborda a questão da injustiça social – cujo peso recai desproporcionalmente sobre a comunidade afro-americana e uma questão sobre a qual a sociedade e as empresas não podem mais ficar caladas. A Ford viu essa disparidade entre os membros da sua equipe afetados pelo COVID-19 e no legado de disparidades econômicas na sua própria cidade natal, Detroit. Não há soluções fáceis para problemas sistêmicos de longa data. No entanto, a Ford está comprometida em ouvir, aprender e ser líder em co-criar soluções que melhorem a empresa e a sociedade.