Economia  17/09/2026 | Por: Redação

ABIQUIM

SASSMAQ® 4.0 é apresentado à cadeia logística na QMeet Safety

Encontro promovido pela Abiquim debateu eficiência operacional, fator humano e a integração dos elos da cadeia de transporte


“Para a Abiquim, segurança é um valor fundamental e falar de segurança é falar também de responsabilidade, excelência e respeito às pessoas e ao meio ambiente.” A afirmação do presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, marcou a abertura da primeira edição do QMeet Safety, realizada no dia 11 de setembro, em São Paulo. Em vídeo exibido aos participantes, o executivo destacou a trajetória de mais de duas décadas do SASSMAQ® e ressaltou que a quarta edição representa um novo passo na evolução do sistema, diante dos desafios de um setor em constante transformação.

Realizado no Grand Hyatt São Paulo, o evento reuniu cerca de 170 participantes, entre representantes da indústria química, empresas prestadoras de serviços logísticos, organismos certificadores e especialistas. A programação teve como foco o lançamento do SASSMAQ® 4.0 e o debate sobre segurança, gestão de riscos, eficiência operacional e sustentabilidade na logística de produtos químicos. A iniciativa também marcou o início do QMeet Safety como uma plataforma de encontros voltada ao diálogo técnico, à troca de experiências e à disseminação de boas práticas no setor.

Nove programas, um propósito

Na palestra “9 Programas, 1 Propósito”, William Matsuo, coordenador de Gestão Empresarial da Abiquim, mostrou como o SASSMAQ® integra um conjunto de nove iniciativas da Associação que, de forma complementar, sustentam uma visão ampla de segurança e responsabilidade na indústria química. O Atuação Responsável® promove a melhoria contínua em saúde, segurança e meio ambiente; o SASSMAQ® estabelece critérios para a avaliação e qualificação dos prestadores de serviços da logística química; o Pró-Química® oferece orientação técnica em situações de emergência com produtos químicos; e o Olho Vivo na Estrada® atua na prevenção de acidentes no transporte rodoviário, com foco no comportamento humano.

A esse conjunto somam-se o Pellet Zero - OCS® Brasil, voltado à prevenção da perda de pellets, pós e flakes de resinas no meio ambiente; a Estratégia Global de Produtos (GPS), que promove a gestão segura dos produtos químicos ao longo de seu ciclo de vida; o Na Mão Certa, dedicado à prevenção e ao enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias; o APELL, que integra indústria, poder público, equipes de emergência e comunidades na preparação para situações de emergência; e o Pacto Global da ONU, que conecta a atuação empresarial a princípios de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e integridade.

A apresentação evidenciou que, embora tenham objetivos específicos, as nove iniciativas se articulam em torno de um mesmo propósito: fortalecer uma cultura de prevenção e gestão responsável, abrangendo diferentes dimensões da segurança - da operação logística e da resposta a emergências à proteção ambiental, à gestão de produtos, à preparação das comunidades e à proteção das pessoas. Nesse contexto, o SASSMAQ® integra uma rede de programas que amplia a atuação da Abiquim para além das operações industriais, alcançando toda a cadeia de valor.

SASSMAQ® 4.0 amplia a visão sobre segurança e qualificação da cadeia logística

O primeiro painel reuniu diferentes perspectivas sobre a construção do SASSMAQ® 4.0 e os desafios para sua implementação. Pela ótica da indústria contratante, Fernando Franco de Oliveira, da BASF, destacou que o sistema contribuiu para padronizar a avaliação dos prestadores de serviços logísticos, ressaltando que a certificação é apenas uma etapa de um processo contínuo de qualificação. Para ele, cabe às empresas analisar os resultados das auditorias, verificar requisitos específicos conforme o produto e a rota, e acompanhar os indicadores de desempenho dos fornecedores. A incorporação de aspectos como sustentabilidade e proteção empresarial na nova edição amplia a capacidade do sistema de responder às demandas atuais.

Além disso, Fernando enfatizou o impacto do fator humano, ressaltando que 40% dos acidentes são causados pelo comportamento do condutor. Assim, o motorista atua como o “cartão de visita” da operação, tornando sua capacitação indispensável. O executivo reforçou que, embora o SASSMAQ® estruture essa qualificação, a segurança efetiva depende do acompanhamento permanente e da aplicação prática dos procedimentos.

Na visão do prestador de serviços, Sérgio Sukadolnick, do Grupo Ceslog - Cesari Logística, a evolução do SASSMAQ® reforça a necessidade de capacitar todos os profissionais da operação, e não apenas os motoristas. Expedidores, programadores e equipes de suporte precisam compreender as características dos produtos, a compatibilidade de cargas, equipamentos e veículos, além de limites de peso, rotas e planos de emergência. Sérgio lembrou que existem hoje mais de 2.300 produtos classificados como perigosos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), exigindo que os requisitos do sistema estejam verdadeiramente incorporados à rotina das empresas, com auditorias que verifiquem a prática diária. Ele vislumbrou ainda que as próximas edições do sistema deverão acompanhar transformações nos âmbitos fiscal, tributário, ambiental e regulatório, mantendo a segurança humana como prioridade.

Ainda sob a perspectiva da contratante, Kelly Leandro Gonzaga, da Dow, ressaltou o SASSMAQ® como instrumento chave para garantir a aptidão dos prestadores frente às particularidades do setor químico. Kelly destacou o caráter contínuo das avaliações na nova versão, fundamental para manter os padrões de segurança ao longo de todo o relacionamento com fornecedores. Ela também chamou atenção para a necessidade de equilibrar os crescentes investimentos em segurança e gestão com a eficiência operacional, custos e produtividade na cadeia.

Em seguida, Henrique Bastos, da GT Soluções Logísticas, abordou os desafios práticos da transição para o SASSMAQ® 4.0 a partir da experiência no projeto-piloto. Como primeiros passos, recomendou o diagnóstico de aderência aos novos requisitos, o mapeamento de processos e a elaboração de um planejamento estruturado. Henrique destacou a capacitação das equipes e salientou que a nova edição propõe uma mudança cultural e de gestão, demandando maior envolvimento da liderança e responsabilidade compartilhada, indo além de um modelo burocrático de checagem.

Ao encerrar o debate, Jameson Trezena, gerente de Negócios da Abiquim e mediador do painel, resumiu o desafio da nova edição: compartilhar conhecimentos e atuar em colaboração. Para ele, as exigências do setor requerem ação integrada entre indústria, operadores logísticos, certificadores e entidades. “Agora que encerramos a etapa de construção desse referencial 4.0, começa a fase mais importante: transformar esses novos requisitos em melhores práticas, em operações mais seguras e em resultados concretos”, afirmou.

Segurança como responsabilidade compartilhada na cadeia logística

Abrindo o painel seguinte - “SASSMAQ® 4ª Edição: A Integração entre Indústria, Transportadoras, Respondedores de Emergências e Entidades de Classe visando a segurança, a proteção à vida e a sustentabilidade na Logística Química Brasileira” - , Oswaldo Vieira Caixeta Junior, presidente da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), trouxe a dimensão do transporte de produtos perigosos no país. Para mensurar a abrangência do setor, destacou que, das mais de 153 mil empresas cadastradas na movimentação desses materiais, cerca de 49,4 mil operam efetivamente no segmento, mobilizando aproximadamente 775 mil veículos e 99 mil trabalhadores formais (sendo 50 mil motoristas), além dos autônomos.

Diante dessa representatividade - com a ABTLP abrangendo cerca de 65% desse universo -, Caixeta defendeu o SASSMAQ® como uma ferramenta permanente de gestão, e não um mero rito para obtenção de certificado. A incorporação diária dos requisitos fortalece a cultura de prevenção, demonstra maturidade ao mercado e evidencia para a sociedade um diferencial de responsabilidade na prestação de serviços.

Essa necessidade de consolidar a cultura de segurança ganhou complemento na perspectiva humana trazida pelo Dr. José H. Montal, presidente da Associação Médica que trabalha para os Médicos de Tráfego (ABRAMET), que colocou o indivíduo no centro da prevenção. O médico ressaltou que acidentes de trânsito possuem causas identificáveis e preveníveis, defendendo que a segurança depende da integração harmônica entre comportamento humano, veículos seguros e processos padronizados.

A dimensão humana se conecta diretamente à prevenção dos acidentes e à necessidade de compreender também seus impactos. Mauro de Souza Teixeira, gerente do Setor de Atendimento a Emergências da CETESB, chamou atenção para a importância de que todos os envolvidos tenham uma percepção real sobre os riscos e os custos associados aos acidentes com produtos perigosos. Para ele, antes mesmo da resposta a uma ocorrência, é fundamental investir em uma etapa de sensibilização que permita compreender a dimensão das consequências para as pessoas, o meio ambiente e as próprias operações. Nesse sentido, reforçou que a prevenção é sempre o melhor caminho e que a preparação para situações de emergência deve fazer parte da gestão dos riscos.

Complementando a mesa, Paulo Demarchi, da Polícia Rodoviária Federal, destacou a evolução observada no transporte de produtos perigosos, sem deixar de ressaltar que os avanços dependem de uma ação conjunta entre os diferentes atores da cadeia. A fiscalização, nesse cenário, se soma aos esforços de transportadores, indústria, órgãos ambientais e demais instituições para elevar os padrões de segurança e reduzir ocorrências nas rodovias.

Em síntese, a mediadora e gerente de Comunicação da Abiquim, Luciane Nogueira, destacou a convergência das visões apresentadas: a responsabilidade do transportador trazida por Oswaldo, o fator humano apontado por Montal, a prevenção ambiental abordada por Mauro e a fiscalização integrada por Paulo. As quatro abordagens ratificam que a segurança não ocorre de forma isolada, mas na interface e na atuação coordenada de todos os elos da cadeia.

GPolarol®: inovação a serviço da resposta a emergências químicas

Alinhada à cultura de prevenção debatida no evento, a apresentação do Gpolarol® - solução voltada ao atendimento de queimaduras químicas - foi um dos destaques do QMeet Safety. Além da demonstração prática ao final do encontro, a explicação sobre sua tecnologia em um dos lounges atraiu a atenção do público.

Desenvolvida para primeiros socorros em episódios de contato com agentes químicos, a solução utiliza propriedades anfotéricas, polivalentes e não tóxicas para atuar na descontaminação e conter a progressão das lesões. A iniciativa da Abiquim em mapear alternativas tecnológicas no mercado visa ampliar a segurança em cenários de emergência, identificando no Gpolarol® uma opção de alto valor técnico e viabilidade competitiva para o setor.