Economia  01/04/2024 | Por: Redação

ABIMAQ

Só 53,7% das máquinas vendidas no 1º bimestre eram nacionais

Vendas de máquinas e equipamentos voltam ao nível da crise fiscal de 2016-1017


Dados do mês de fevereiro de 2024 da pesquisa Indicadores Conjunturais da ABIMAQ, registraram alta na receita líquida de vendas do setor de máquinas e equipamentos. A alta ocorreu na comparação mensal (5,8% com ajuste sazonal), já na interanual houve queda (-14,0%). No período (primeiro bimestre de 2024 em relação ao mesmo período do ano passado) houve queda tanto na receita originária de venda no mercado interno quanto externo. As exportações em dólares registraram desempenho negativo (-9,2%). Ainda que a receita líquida tenha melhorado em relação ao mês de janeiro, se manteve abaixo do resultado de fevereiro de 2023. Os números observados no primeiro bimestre do ano indicam que o baixo dinamismo da atividade industrial continua impactando negativamente os investimentos produtivos de alguns segmentos.

As receitas de vendas de máquinas no mercado doméstico vêm desde o ano de 2022 registrando retração continuamente. Em 2022 a queda foi de 6,9%, em 2023 de
15,4% e em 2024, o primeiro bimestre do ano registrou queda de 18% em relação ao mesmo período de 2023 que já tinha sido baixo. Com esse resultado, as receitas de vendas no mercado interno retornaram ao nível da crise fiscal de 2016 – 2017. As exportações também apresentaram impacto negativo no resultado das receitas.

Exportação

O mês de fevereiro de 2024 encerrou com um total de US$ 829 milhões em exportações de máquinas e equipamentos nacionais. Esse resultado veio abaixo 21,4%
do observado no mês de janeiro de 2024 (US$ 1 bi). O ano de 2023 foi marcado pelo desempenho histórico das exportações. No período o setor exportou quase US$ 14 bilhões em máquinas, superando o seu recorde histórico que ocorreu em 2012. Naquele ano, em média a indústria de máquinas exportou US$ 1,16 bi ao mês, porém o patamar registrado neste início de ano de 2024 está levemente inferior.
As exportações medidas em quantidades físicas também registraram queda neste início de ano. Em relação ao mês de fevereiro de 2023 a queda foi de 24,9% e em relação a janeiro de 24, de 24,3%

Importação

O mês de fevereiro de 2024 registrou contração nas importações de máquinas e equipamentos, em relação ao mês imediatamente anterior (-7,2%), já em relação ao mesmo mês do ano anterior (12,4%). No mês foram importados US$ 2,1 bilhões em máquinas e equipamentos contra US$ 2,3 bi em janeiro de 2023. No mês de fevereiro de 2023 as importações foram de US$ 1,9 bilhões. No período também houve queda das importações medidas em quantidade física. Em relação ao mês de janeiro de 23 a queda foi de -8,5%, mas em relação a fevereiro de 2023 houve crescimento de 12,9%.

O crescimento das importações no acumulado do ano ocorreram a despeito da queda no consumo de máquinas consumidas no Brasil, a partir, portanto, do deslocamento da produção nacional.

Consumo aparente

O consumo aparente nacional de máquinas e equipamentos, resultado da soma da aquisição de bens produzidos localmente com os importados, no mês de fevereiro registrou alta na comparação com o mês de janeiro de 2024 (9,2%) (com ajuste sazonal); já em relação a fevereiro de 2023 caiu 4,5%. Na comparação com janeiro-fevereiro de 2023 a queda foi de 10,9%, atingindo R$ 49,2 bilhões no acumulado do ano.
A desaceleração da atividade nos diversos setores da economia vem impactando negativamente as decisões de investimentos no país desde o ano de 2022 e a falta de competitividade da indústria local subtrai o mercado consumidor que já é pequeno, dando espaço ao bem importado. No primeiro bimestre de 2024 apenas 53,7% das aquisições foram de máquinas produzidas localmente.

Capacidade instalada

O nível de utilização da capacidade instalada da indústria brasileira de Máquinas e Equipamentos subiu para 71,4% no mês de fevereiro, mas ainda se encontra 7,7% abaixo do nível observado no final no mesmo mês de 2023 (77,4%). Em média, no período o setor operou com 2 turnos. Nos últimos 12 meses ano o setor atuou em média com 74,8% da sua capacidade instalada.

A carteira média de pedidos, medida em semana para o seu atendimento, durante o mês fevereiro estabilizou em 9,4. Dentre os setores fabricantes, os que estão com carteira baixa são os que produzem máquinas destinadas a indústria, para agricultura e para construção civil.

Emprego

O mês de fevereiro de 2024 encerrou com leve queda da mão de obra (-0,4%), contudo o quadro geral e de leve estabilidade, no atual patamar. O setor continua com um pouco mais de 10 mil pessoas a menos no quadro de pessoal quando comparado com o mês de setembro de 2022, período que registrou número recorde de pessoas empregadas. Em relação ao mesmo mês do ano passado o setor encolheu 1,7% a sua força de trabalho.

Os setores que registraram os maiores cortes no nível de pessoas empregadas, foram os mais afetados pela piora na receita de vendas já em 2023: os fabricantes de máquinas agrícolas e de máquinas para a indústria de transformação.