Covid-19 - 14/05/2020

Crise derruba exportação de calçados

Emprego continua em forte queda: do final de março até o último dia 12 de maio, o setor perdeu 30,9 mil postos de trabalho


A crise provocada pela pandemia da covid-19 teve papel fundamental na queda das exportações de calçados no quadrimestre. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), em abril foram embarcados 4,84 milhões de pares por US$ 30,3 milhões, quedas de 40% em volume e de 60,8% em faturamento na relação com mesmo mês do ano passado.Com o resultado, no quadrimestre, as exportações somaram 36,87 milhões de pares e US$ 271,2 milhões, quedas de 14,4% em volume e de 21% em faturamento na relação com período correspondente de 2019.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o quadro é explicado pela crise provocada pelo alastramento da covid-19, especialmente nos Estados Unidos, histórico e principal cliente do calçadista brasileiro no exterior. Entre janeiro e abril, os norte-americanos importaram 3,1 milhões de pares por US$ 51,32 milhões, quedas de 35,4% em volume e de 26,7% em faturamento na relação com o mesmo período do ano passado.

O segundo comprador internacional do quadrimestre foi a Argentina, para onde foram enviados 2,68 milhões de pares, que geraram US$ 28 milhões, incremento de 7,4% em volume e queda de 10,6% em faturamento na relação com o primeiro quarto de 2019.

A França apareceu no terceiro posto entre os importadores de calçados brasileiros. No quadrimestre, os franceses importaram 2,5 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 16,16 milhões, quedas de 18,3% e de 13,3%, respectivamente, na relação com período correspondente do ano passado.

Estados


No quadrimestre, o maior exportador do Brasil foi o Rio Grande do Sul, de onde partiram 8,48 milhões de pares, que geraram US$ 114,75 milhões. As quedas foram de 17,5% em volume e de 24,8% em faturamento na relação com o mesmo período do ano passado.

Também com forte queda nos embarques, o Ceará foi o segundo exportador de calçados do quadrimestre. No período, os calçadistas cearenses enviaram ao exterior 13,46 milhões de pares por US$ 74,76 milhões, quedas de 20,5% e de 22,8%, respectivamente, ante igual ínterim de 2019.

Com quedas de 9% em volume e de 22,5% em faturamento, São Paulo foi o terceiro exportador do período, embarcando 2,32 milhões de pares por US$ 26,8 milhões.

O único estado com resultados positivos no ranking dos principais exportadores foi a Paraíba, de onde partiram 7,8 milhões de pares por US$ 24,74 milhões, incrementos de 13% em volume e de 16,5% em faturamento na relação com o mesmo período do ano passado. “Além de vir de uma base muito fraca ano ano de 2019, a Paraíba teve um incremento pontual nos embarques de chinelos, especialmente para a China”, explica Ferreira.

Importações


No quadrimestre, as importações somaram 10,45 milhões de pares e US$ 123,24 milhões, quedas de 10% em volume e de 0,6% em receita na comparação com igual período do ano passado.

As principais origens das importações no quadrimestre seguem sendo os países asiáticos, que corresponderam a 92% do total de pares importados pelo Brasil. No quadrimestre, o Vietnã, exportou para o Brasil 4,17 milhões de pares, o equivalente a US$ 70 milhões, números  5,2% e 10,7%, respectivamente, superiores aos registros de 2019.. A segunda origem do calçado importado foi a Indonésia, com 1,23 milhão de pares e US$ 20,42 milhões, quedas de 24% e de 16,2%.  A China apareceu no terceiro posto, tendo exportado para o Brasil 4,1 milhões de pares por US$ 16,18 milhões, queda de 16% em volume e incremento de 1% em receita. Em partes de calçados – cabedais, solas, saltos, palmilhas etc – as importações chegaram a US$ 8,5 milhões, 22% menos do que no mesmo período de 2019. As principais origens de partes de calçados foram China, Vietnã e Paraguai.

Empregos e perspectivas

A Abicalçados vem atualizando semanalmente os dados do impacto da pandemia do novo coronavírus no setor. O mais recente levantamento aponta que, do final de março até o último dia 12 de maio, o setor perdeu 30,9 mil postos de trabalho, 11,5% da força de trabalho da atividade (270 mil postos diretos, em dezembro de 2019). Os estados mais afetados foram São Paulo, com a perda de 10 mil postos (32% do total de demissões); Rio Grande do Sul, com 7,82 mil demissões (25% do total); e Minas Gerais, com 5 mil postos perdidos (16% do total). O estados do Nordeste somam 5,46 mil demissões (18% do total). 

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, ressalta que não existe perspectiva de melhoras no quadro, especialmente enquanto o varejo físico não estiver em funcionamento. “Defendemos o retorno gradual, e com a segurança, do varejo brasileiro. Infelizmente, muitas fábricas estão sem novos pedidos, ou mesmo com cancelamentos, pois o lojista não está vendendo. Sem ter o que produzir, é impossível segurar a mão de obra”, lamenta o executivo, acrescentando que mais de 85% das vendas da indústria calçadista brasileira são realizadas no mercado interno. Desde o início da pandemia, 70% das fábricas tiveram que demitir trabalhadores em algum momento. “Muitas empresas estão tentando segurar trabalhadores por meio da redução da jornada de trabalho, com redução salarial correspondente, permitida pela MP 936. Porém, é uma medida paliativa neste momento”, conclui. 

Conforme o levantamento da Abicalçados, em 2020 a produção de calçados deve registrar um tombo de até 30%, especialmente em função da queda das vendas no mercado brasileiro. O IBGE aponta que, em março, as vendas do setor caíram 39,6%, no comparativo com o mesmo mês de 2019. No trimestre, segundo a mesma fonte, a queda chegou a 12,4%, em relação a igual ínterim do ano passado.