Economia  17/07/2023 | Por: Redação

Indústria química

Abiquim participa da instalação da Comissão de Assuntos Econômicos

O grupo, que reúne diversos segmentos da sociedade, tem como objetivo discutir e acompanhar os principais temas da economia do País.


No dia 3 de julho, a Abiquim, como membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável (CDESS), participou da reunião que instituiu a Comissão de Assuntos Econômicos, na sede do Ministério da Fazenda, em Brasília e que contou com a presença do ministro-chefe Alexandre Padilha, da Secretaria de Relações Institucionais (SRI); Bernard Appy, secretário da Reforma Tributária; Guilherme Mello, secretário de Política Econômica da pasta; Paulo Pereira, secretário do Conselhão; além dos conselheiros integrantes da nova comissão. O grupo, que reúne diversos segmentos da sociedade, tem como objetivo discutir e acompanhar os principais temas da economia do País.

Em seu discurso, André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, elogiou todo o trabalho que o governo do atual mandato está fazendo para arrumar a casa, especialmente a revisão, como ele classifica de arcabouço institucional, da qual faz parte a criação do CDESS, Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) e de tantas outras frentes de discussão com a sociedade civil.

No que tange ao atual cenário da indústria no Brasil, Passos afirmou que “é essencial ampliarmos o olhar para o que está acontecendo fora do nosso país para entendermos o que ainda é preciso ser feito, além do que já está sendo realizado internamente”, referindo-se a uma mudança substancial da situação geoeconômica no mundo, ocasionada, entre outros fatores, pela pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia. 

“Logo após a pandemia, os países no mundo começaram a retomar seus processos de industrialização e a trabalhar com uma visão regional dentro deste processo. Os EUA, por exemplo, lançaram o Inflation Reduction Act e já tinham implantado há algum tempo o Jobs Act. A Europa, por sua vez, lançou o Green Deal em reação a este plano, que nada mais é que um plano de subsídio pesadíssimo às suas indústrias locais. E ao contrário que muitos acham, o IRA americano não é só um plano para o que é verde, sustentável, reciclável e circular. É um plano também para o que é cinza para continuar usando em outras bases os recursos naturais que não são de origem renovável”, explicou Passos, concluindo portanto, que o País precisa se debruçar nesses exemplos porque eles informam muito o potencial que tem ou não de neoindustrializar-se. “Infelizmente, organizar nossa casa não será suficiente para enfrentarmos esse novo cenário”, completou.

Outro aspecto mencionado pelo presidente-executivo da Abiquim deriva da guerra entre Rússia e Ucrânia que ataca diretamente os mercados mundiais. “No primeiro quadrimestre de 2023, já sentimos o impacto que este conflito está gerando sobre os principais insumos energéticos no mundo – petróleo e gás natural. A Europa e os EUA estabeleceram uma sanção sobre o mercado de petróleo, colocando um teto no preço pago pelo gás e óleo russo. Como resultado, a China e a Índia estão comprando gás e óleo abaixo do mercado internacional. Ou seja, estão pagando pela sua energia cinza muito mais barato do que nós pagamos aqui no Brasil.”

Passos enfatizou ainda que o Brasil já fez boa parte da sua tarefa de transição energética e grande parte do resto do mundo não fez. “83% da nossa matriz de energia é limpa e o Brasil não soube cobrar do mundo o resultado dessa sua política e muito menos competir. A indústria química brasileira, em especial, tem essa característica de ser muito mais limpa em seu processo produtivo”, afirmou, sinalizando que uma pesquisa feita no ano anterior pela Abiquim mostrou que a indústria química nacional é de 5% a 35% menos emissora de gás de efeito estufa (GEE) que a indústria química europeia; e de 15% a 51% menos emissora que o resto do mundo, incluindo EUA e China.

Segundo Passos, “enquanto sociedade, país e iniciativa privada, investimos e pagamos todos os custos por essa transição energética”. Ao mesmo tempo, alertou, “continuamos recebendo produtos de fora do país com pegada de carbono muito mais alta e mais barata que a nossa e sem nenhum cuidado, enfraquecendo o mercado interno que é nosso patrimônio. Tal desvio favorece importações de produtos de países que não fizeram a transição. A queda acentuada de produção e vendas na química no primeiro quadrimestre de 23 - o pior resultado em 17 anos – mostra claramente o quanto é necessário agirmos urgentemente”, finalizou.

No encontro, Padilha fez uma apresentação da situação macroeconômica e da Reforma Tributária, seguida pelas considerações das demais autoridades do Ministério da Fazenda, bem como dos membros do Conselhão.