A Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores - elevou a projeção de vendas de veículos em 2026 de 6,1% para 8,6%, somando todos os segmentos. O setor que mais deve crescer é o de motos, com 10%, seguido de automóveis e comerciais leves, com 8,8% (contra 3% da projeção anterior). Segundo a entidade, a estimativa é que sejam vendidas no ano 2.770.000 unidades neste segmento. Por outro lado, os demais setores devem sofrer queda nas vendas neste ano. O mais prejudicado será o de ônibus, com retração de 9,2%, vindo logo a seguir os caminhões, com reversão de 7,8%.
Em relação às motos, a previsão é que sejam vendidas 2.406.000 motos em 2026, que ainda se consolida como recorde histórico.
Um bom primeiro semestre
Os emplacamentos de veículos no Brasil encerraram o primeiro semestre de 2026 com crescimento de 16,01% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com a Fenabrave, de janeiro a junho foram emplacadas 2.715.403 unidades, ante 2.340.564 unidades nos primeiros seis meses do ano passado. Esse foi o melhor primeiro semestre desde 2011.
Somente no mês de junho, o setor registrou 488.420 mil unidades emplacadas, apresentando uma leve retração de 0,82% na comparação com maio, quando foram emplacadas 492.449 unidades. Já na comparação entre junho de 2026 e junho de 2025, o setor apresenta um crescimento de 18,96%.
De acordo com Arcelio Junior, Presidente da Fenabrave, o resultado confirma um mercado acumulado com resultados consistentes, sustentados pela alta competitividade das marcas, dos programas de incentivos e necessidade de renovação da frota. “O primeiro semestre mostra um setor em expansão, mas ainda condicionado pelo custo do crédito. Temos registrado bons indicadores como resultado de Programas como Carro Sustentável e Move Brasil”, afirma o dirigente.
Automóveis e Comerciais Leves
Automóveis e comerciais leves encerraram junho com acomodação em relação a maio, mas mantiveram forte crescimento na comparação anual e no acumulado do semestre. Os segmentos seguem como principal vetor de expansão do setor. “O desempenho dos automóveis e comerciais leves mostra que a demanda do mercado foi fortalecida pela competitividade entre as marcas e pelos incentivos de programas como Carro Sustentável, que facilitaram a aquisição dos veículos por parte dos consumidores”, afirma Arcelio Junior.
Caminhões
Com nova etapa do Programa Move Brasil, iniciada em 29 de maio, o segmento apresentou recuperação em junho, mas ainda acumula retração no semestre. “O
Move Brasil vem ajudando transportadoras e caminhoneiros autônomos a renovar suas frotas”, afirma Arcelio Junior.
Implementos Rodoviários
Implementos rodoviários apresentaram forte recuperação em junho, graças aos incentivos agregados do Move Brasil 2, mas ainda acumulam retração no semestre. O segmento acompanha de perto o comportamento de caminhões, sendo influenciado pelos resultados do agronegócio, da indústria, da logística e das decisões de investimento das empresas. “Implementos respondem ao ritmo da economia produtiva. A melhora do mês é relevante, mas o segmento ainda depende de maior confiança para sustentar crescimento”, afirma Arcelio Junior.
Ônibus
Os emplacamentos de ônibus avançaram em junho, em um segmento que costuma ter comportamento fortemente influenciado por compras públicas – que não
ocorreram neste ano-, renovações de frota urbana, transporte escolar, turismo e decisões de operadores privados. “Ônibus é um mercado com ciclos próprios. Quando há planejamento de mobilidade, renovação de contratos e disponibilidade de financiamento, a demanda aparece. Em junho, a renovação da frota de ônibus se deu, efetivamente, em função do Move Brasil 2, que incluiu o segmento entre os beneficiários”, afirma Arcelio Junior.
Por não serem emplacadas, as Máquinas Agrícolas apresentam dados com um mês de defasagem, pois dependem de levantamentos junto aos fabricantes.
Tratores
Com queda acumulada de mais de 15% entre os meses de janeiro a maio de 2026, o segmento de tratores continua sofrendo os reflexos de um forte endividamento por parte dos produtores rurais que, mesmo com a redução das taxas de juros, não conseguiram ir para o consumo desses bens. “A redução das taxas de juros ofertadas pelo Moderfrota foi insuficiente para impulsionar a renovação da frota de tratores, situação que deve permanecer assim até a operacionalização do Move Agrícola e de algum programa de renegociação de dívidas”, alerta Arcelio Junior.
Caso não haja mudanças no cenário, a Fenabrave projeta uma queda de 15% para tratores em 2026, considerando algum incremento provocado pelo Plano Safra 2026/2027, recém anunciado pelo Governo. “A queda poderia ser ainda maior”, reflete o Presidente da Fenabrave.