Automotivo  03/09/2026 | Por: Redação

FENABRAVE

Emplacamentos de veículos crescem 16,87% em agosto

O acumulado dos oito primeiros meses do ano (3.553.597 unidades emplacadas), é superado apenas pelos picos de emplacamentos em 2012 e 2013


Os emplacamentos de veículos no Brasil somaram 503.768 unidades em agosto, volume 0,16% inferior ao de julho e 16,87% superior ao de agosto de 2025, segundo levantamento da Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, foram emplacadas 3.723.713 unidades, (incluindo Implementos Rodoviários e outros), alta de 15,3% sobre igual período de 2025. Agosto teve 21 dias úteis, ante 23 em julho. “Os resultados continuam positivos, mesmo em um ambiente no qual o custo do crédito ainda é elevado. A redução gradual da Selic e a manutenção de um mercado de trabalho aquecido são sinais favoráveis, embora ainda seja necessário acompanhar a evolução da economia nos próximos meses”, afirma Arcelio Junior, Presidente da Fenabrave. 

A Selic chegou a 14% ao ano em agosto, depois de iniciar 2026 em 15%, e a taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho ficou em 5,3%, a menor da série histórica para o período, conforme dados do IBGE. Segundo o presidente da Fenabrave, segmentos como o de automóveis, comerciais leves e motocicletas têm apresentado um desempenho positivo e até acima do projetado, muito em função de programas como o Carro Sustentável e MOVE, este último refreando a queda observada em segmentos como caminhões, ônibus e implementos. “Os automóveis e comerciais leves também tiveram os emplacamentos impulsionados pela alta concorrência entre marcas, que vêm realizando promoções interessantes ao consumidor”, declara Arcelio Junior.

Automóveis e Comerciais leves

Automóveis e comerciais leves mantiveram bom desempenho em agosto. “Os segmentos continuam apresentando uma demanda contínua, que vem sendo estimulado pela alta competitividade das marcas, que têm ofertado promoções ao mercado. O resultado também é fruto da boa aceitação do Programa Carro Sustentável, que tem impulsionado o consumo”, afirma Arcelio Junior.

Caminhões

Houve retração mensal, mas a comparação com agosto do ano passado foi positiva, graças ao MOVE Brasil. “A queda não interrompe a melhora que estamos vendo na comparação com 2025. Existe uma necessidade estrutural de renovação da frota, mas como caminhão é investimento de longo prazo, fatores como nível dos fretes, custos operacionais e condições de financiamento precisam estar alinhados para o transportador”, analisa Arcelio Junior

Ônibus

Os emplacamentos de ônibus recuaram em relação a julho, mas ficaram acima dos de agosto do ano passado. No acumulado de 2026, o segmento ainda registra resultado negativo. “Os ônibus têm uma dinâmica diferente de mercado, com compras e entregas em lotes, o que pode causar certa volatilidade mensal. Por isso, considero mais importante observar a comparação anual e a redução da diferença acumulada em relação a 2025. Há uma recomposição em curso, favorecida pelo Programa Move, embora ainda não possamos falar em recuperação completa do segmento”, afirma Arcelio Junior

Implementos Rodoviários

Os implementos rodoviários seguem em movimento de recuperação em relação a agosto do ano passado, apresentando estabilidade no acumulado. “O segmento teve alta mais forte em julho e agosto traz uma acomodação desse movimento. O acumulado, muito próximo da estabilidade, aponta que o Programa Move Brasil foi bem utilizado pelo segmento”, comenta o Presidente da Fenabrave.

Motocicletas

As motocicletas mantiveram trajetória positiva em agosto, com crescimento nas comparações mensal, anual e acumulada. “O mercado de motocicletas vem sustentando uma trajetória de crescimento bastante consistente já há alguns anos. Além dos diferentes usos da motocicleta, o segmento possui uma característica importante na forma de aquisição, com participação relevante dos consórcios, o que amplia as alternativas para o consumidor num período em que o crédito bancário ainda está caro”, diz o Presidente da entidade.

Motocicletas Eletrificadas

As motocicletas elétricas tiveram retração sobre julho, mas registraram alta sobre agosto de 2025 e no acumulado do ano. Foram 11.587 unidades elétricas entre janeiro e agosto, ante 6.261 no mesmo intervalo do ano passado. “A base ainda é pequena e, por isso, as oscilações mensais são mais intensas. O avanço no acumulado, porém, mostra uma ampliação desse mercado”, afirma Arcelio Junior.

Máquinas Agrícolas

Obs.: Por não serem emplacadas, as Máquinas Agrícolas apresentam dados com um mês de defasagem, pois dependem de levantamentos junto aos fabricantes. 

Tratores

Os tratores recuaram 2,2% em julho, enquanto a retração chegou a 32,9% na comparação anual e a 19,2% no acumulado. O resultado ocorre mesmo com a agropecuária tendo crescido 2,8% no segundo trimestre, conforme dados do IBGE, indicando que o desempenho da atividade ainda não se traduz automaticamente em retomada dos investimentos em máquinas. “Endividamento, margens e custo do crédito continuam aparecendo nos dados até julho, e acreditamos que com o Move Agrícola e o programa de renegociação de dívidas, a situação do produtor rural possa ser revertida e a renovação da frota de tratores, principalmente, os de até 100hp ocorra gradualmente”, analisa o presidente da FENABRAVE.

Colheitadeiras

As vendas de colheitadeiras somaram 31 unidades em julho. No acumulado, foram 647 unidades, numa retração de 63,2%. “Nesse nível de retração, fica claro que os investimentos continuam bastante represados. Uma recuperação mais consistente depende da recomposição da capacidade financeira do produtor e de condições mais favoráveis para investimento”, afirma Arcelio Junior.