Economia  08/09/2026 | Por: Redação

ABIQUIM

Indústria química já tem agenda estratégica para o próximo governo

Documento reúne seis missões para ampliar competitividade, investimentos, inovação e capacidade produtiva, além de estabelecer prioridades.


A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) apresentou no dia primeiro de setembro, em São Paulo, a Agenda Estratégica da Indústria Química para o Brasil 2027-2035, documento que reúne as principais propostas do setor para o próximo governo e aponta os desafios que deverão estar no centro da agenda econômica brasileira nos próximos anos.

A agenda foi apresentada durante o QMEET Vision, encontro que reuniu lideranças da indústria química e imprensa. Participaram do evento o presidente-executivo da Abiquim, André Passos; Daniela Manique, presidente para a América Latina da Solvay-Rhodia; Francisco Fortunato, presidente do Grupo OCQ; Mariana Orsini, líder regional da Dow no Brasil; e Maximilian Yoshioka, diretor-presidente da Indorama Ventures Polímeros – LATAM.

Estruturada em seis missões, a agenda propõe uma visão de longo prazo para reposicionar a indústria química brasileira, combinando competitividade, política industrial, inovação, sustentabilidade e segurança econômica. As propostas buscam criar condições para recuperar capacidade produtiva, estimular novos investimentos e fortalecer a participação do Brasil nas cadeias globais de valor.

As seis missões apresentadas pela Abiquim são:

1) Insumos e infraestrutura competitivos como política de Estado, com foco na oferta e nos custos de matérias-primas e energia, especialmente gás natural, além da infraestrutura necessária para ampliar a competitividade da produção nacional;

2) Demanda como indutor de investimento e de política industrial, utilizando o poder de compra do Estado e mecanismos de estímulo à produção nacional para gerar mercado, agregar valor e incentivar investimentos;

3) Transição produtiva para uma base integrada, a Nova Química, com estímulo à inovação, economia circular, reciclagem, química renovável, bioprodutos e soluções de baixo carbono, preservando a neutralidade tecnológica;

4) Defesa comercial, competição justa e segurança econômica, com o fortalecimento dos instrumentos de defesa comercial e de mecanismos que assegurem condições equilibradas de competição entre a produção brasileira e produtos importados;

5) Ampliação do investimento e da inovação, criando condições para modernização, expansão da capacidade produtiva, aumento da produtividade, incorporação de novas tecnologias e reinvestimento no país;

6) Governança e coordenação institucional, com maior integração entre governo, setor produtivo e demais atores, além de previsibilidade regulatória e continuidade das políticas públicas de longo prazo.

O documento parte do diagnóstico de que a indústria química ocupa posição estratégica na economia brasileira, fornecendo insumos essenciais para setores como agronegócio, saúde, construção civil, automotivo, alimentos, infraestrutura e bens de consumo. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios estruturais relacionados a custos de energia e matérias-primas, ambiente regulatório, comércio exterior, investimentos e capacidade produtiva.

A proposta da Abiquim é que a política industrial seja tratada como uma agenda de Estado, com previsibilidade e continuidade, independentemente dos ciclos de governo. A entidade defende que o Brasil aproveite suas vantagens competitivas, incluindo sua matriz energética de baixa emissão e sua base industrial, para ampliar a produção nacional e avançar em inovação e sustentabilidade.

“A indústria química está na base de praticamente todas as cadeias produtivas e, por isso, discutir o futuro do setor é discutir o futuro da própria indústria brasileira. Estamos apresentando uma agenda que olha para 2027, mas principalmente para os próximos dez anos, com propostas concretas para aumentar a competitividade, estimular investimentos e fortalecer a capacidade produtiva do país”, afirma André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim.

Apresentação aos presidenciáveis

A agenda foi apresentada aos candidatos à Presidência da República como contribuição do setor químico ao debate sobre os rumos da economia brasileira. Mais do que reivindicações setoriais, a Abiquim busca colocar em discussão uma estratégia de desenvolvimento industrial de longo prazo, capaz de ampliar investimentos, gerar empregos qualificados, reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer a posição do Brasil nas cadeias globais de produção.

Daniela Manique, presidente para a América Latina da Solvay-Rhodia, destacou a necessidade de enfrentar os custos do gás natural como parte da agenda de competitividade da indústria. “O custo do gás natural é um dos principais fatores que comprometem a competitividade da indústria brasileira. Enquanto o gás chega a custar quatro ou cinco vezes mais no Brasil do que nos Estados Unidos e o dobro do preço praticado na Europa, é preciso rever a estrutura desse mercado. Precisamos criar condições para que esse recurso seja utilizado para produzir aqui, agregar valor e fortalecer a indústria nacional, e não apenas para exportar uma commodity”, afirmou.